29 de ago. de 2012

EDITORIAL: Saúde! Obrigado!

Por: Rafael Biazão

O Ministério da Saúde ofereceu duas novas vacinas a crianças com até 5 anos, entre os dias 18 e 24 de agosto, em todo território nacional. Houve um grande investimento para esta campanha. Ao todo, 350 mil profissionais de saúde participaram da ação, que contou com 42 mil veículos terrestres, marítimos e fluviais.

As vacinas são contra tuberculose, hepatite B, difteria, tétano, coqueluche, meningite, polio, rotavírus, febre amarela, pneumonia, sarampo, rubéola, caxumba e poliomielite, apesar desta não apresentar nenhum registro no país há 23 anos.

Mesmo diante das inúmeras deficiências do sistema público de saúde do Brasil, o governo faz um bom trabalho no quesito vacinas e controle de doenças como a paralisia infantil, por exemplo. Nesta campanha foram repassados R$ 37 milhões aos Estados e  municípios, sendo R$ 16 milhões gastos apenas com a aquisição da vacina.

O Brasil vem se destacando no cenário mundial com a produção de vacinas. O que motiva o governo a continuar com estudos na área é que, além de imunizar a população de diversas doenças, isso acarretará em um menor gasto futuro no combate a doenças. Se especializar em vacinas também se tornou uma fonte lucrativa, visto que muitas vacinas são exportadas a outros países.

Não é à toa que o Brasil conquistou o status de pioneiro na produção e pesquisa de vacinas. Há anos o Ministério da Saúde vem investindo fortemente para ganhar notoriedade mundial. Tais investimentos se dão tanto por criação de institutos, centros tecnológicos, parcerias com grandes empresas e campanhas de sucesso como esta última destinada às crianças, que estão crescendo cada vez mais saudáveis.

27 de ago. de 2012

EDITORIAL: O abismo que une

Por: Eduardo Silva

O Brasil, no dia 8 deste mês, tomou conhecimento de mais uma novidade oriunda de Brasília. O Senado aprovou uma lei que institui a cota unificada de 50% das vagas oferecidas em universidades federais de todo o país. O texto, que aguarda a sanção presidencial, reserva 25% dessas cotas para negros, pardos e indígenas, enquanto a outra parte será destinada às pessoas que possuem renda de até um salário mínimo e meio. Os beneficiados deverão, obrigatoriamente, ter feito todo o ensino médio em escola pública.

Com base no bravo e heroico discurso, constantemente proferido pelos defensores de sistemas de cotas, fica ainda mais curiosa a discussão em torno da precariedade de nosso ensino básico. Não obstante o total desprezo pela meritocracia individual dos candidatos às vagas, esbarramos também em uma falsa impressão, na qual os títulos de compensação social e promoção de direitos iguais escondem uma preocupante acentuação do preconceito.

É visível que os resultados, em curto prazo, aparecem muitíssimo favoráveis àqueles que são beneficiados com a lei. O jovem inteligente, articulador de boas ideias, batalhador, que realmente é prejudicado pela barreira social existente, terá a oportunidade de assistir aulas e desenvolver ainda mais o seu intelecto. Porém, os acachapantes 25% propostos e aprovados têm peso suficiente para permitir a entrada de outros jovens e adultos que, seguramente, estarão despreparados para o ritmo acadêmico. Muitas vezes sem a base que deveria ser oferecida nos anos básicos de escolaridade, esses estudantes sentirão a impactante vergonha de não acompanhar o conteúdo passado em sala de aula e, assim, quem pode garantir que a evasão nessas universidades federais não tenha um aumento vertiginoso?

Em qualquer condição enquadrada na lei, também é evidente que a mesma, em longo prazo, irá gerar um desconforto social sem precedentes. Os alunos não beneficiados irão convergir na disputa ainda mais acirrada e estressante pelos 50% de vagas restantes, enquanto no outro lado os aprovados são selecionados de uma forma excepcionalmente preconceituosa, já que o critério usado é justamente o que o nosso Estado caracteriza como crime: distinguir o outro pela cor ou classe social.

Não seria incabível afirmarmos então que, a condição obrigatória de conclusão do ensino médio em escolas públicas faz das mesmas uma obrigação vexatória e burocrática, da qual os jovens, em um futuro não tão distante, poderão ser recompensados com um verdadeiro salto olímpico sobre o mérito e a autoestima, pousando suavemente sobre a cadeira de uma sala de aula universitária. Toda a ruptura social que, ao longo dos anos, vem sendo bravamente combatida pela arte e pelas extensas transformações culturais, ganhará grandes chances de ser lamentavelmente reestabelecida na sociedade brasileira. Que possamos abreviar essas mazelas com as nossas sinceras palavras.

 
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